sábado, 30 de maio de 2009

Religando em Celtibérico: Rituais falados no idioma dos Ancestrais....



Slania!
Tenho aprendido muito com o amigo Marcílio Diniz, principalmente no grupo Reconsceltica, do Yahoo, que ele criou, e em nossas conversas, sobre o idioma dos antigos celtibéricos. Como sempre digo pro povo em nosso círculo: inúmeras são as Iniciações pelas quais passamos em nossa jornada....e aprender Keltiberika tem sido uma jornada iniciática única. Para quem como este que vos tecla, que se encanta com tudo aquilo que possa nos aproximar ainda mais da Sabedoria dos Ancestrais, poder cantar a Eles, aos Deuses de nossa gente, no idioma em que também cantavam, tem sido uma experiência abençoada, sagrada....

Depois de ter utilizado alguns dos hinos, invocações e cânticos que o Marcílio, nosso querido Bardo de Ypuarana, compôs, confesso que fiquei tentado, e me arrisquei a escrever algumas coisinhas também.....rsrs....sempre, CLARO, me reportando a ele, para que me ajude a elucidar onde estou a escorregar na gramática, entre outros...

O saldo disso até agora foram alguns cânticos curtos, espécies de mantras, que tenho utilizado nos ritos do culto doméstico, e no dia-a-dia, com muito êxito. Deixo alguns abaixo:

A todos os Deuses do Povo:

Olloi deiuoi deiuaskue
ansonas geneis
nos anesonti
uta klansonti!

"Que Todos os Deuses assim como as Deusas
De nossa Gente
Nos protejam
E nos iluminem!"

A Candeberônio, Deus da Luz e do Saber:

Io Kandeberonios
ueizom nos zizeti
ekue nertom boudimkue (ou 'boudiamkue').
Io Kandeberonios
nos klanseti
uta ansonam trebiam aneseti!

"Que Candeberônio
Nos dê Sabedoria
Assim como Força e Vitória
Que Candeberônio
Nos ilumine
E proteja a Nossa Casa!"

Cântico a Cabar ( Kabaros ), Deus Bode Lusitano, Senhor da Sabedoria e das Bruxas:

Io Kabaros britui me zizeti
ekue kailom ueizomkue
uta skota klanseti!

"Que Kabaros me dê o Dom de Encantar
Assim como o Presságio e a Sabedoria
E ilumine as trevas!

Cântico a Crouga Magareaigo, Deus ibérico lusitano da destruição e da Magia:

Ios Krougas Magareaigos
Deiuo Ansonas Toutas
Damnati ansonus namatus!
Ios Krougas Magareaigos
Ziziseti nos Britias
Ekue Kailos Boutimkue!

Que Crouga Magareaigo
Deus de Nossa Tribo
Prenda/amarre nossos inimigos!
Que Crouga Magareaigo
Nos dê o Dom de Encantar
Assim como o Presságio e a Vitória!

Cântico para Badb ( Badimas ) Deusa da Guerra, Senhora dos Corvos de Batalha:

Ios Badimas Katubotuas Rigania
Ziziseti nos Nertom ekue Latus
Boutimkue
Uta Aneseti Trebas Ansom!

Que Badimas Rainha dos Corvos de Batalha
Nos dê Força assim como Vigor e Vitória
E proteja Nossa Casa!

Cântico a Coventina, Deusa Lusitana da Cura e da Saúde:

Ioz Kouenteina Deiua Akuas
Ziziseti nos Iakum
Uta nos iskanti!

Que Coventina Deusa das Águas
Nos dê Cura
E nos lave/purifique!

Em breve postarei mais alguns cânticos no idioma de nossos Ancestrais de Celtibéria.

Ios Deiuum Deiuaumkue nos kalantiseti! ( Que os Deuses assim como as Deusas nos iluminem! ).

Raven Luques McMorrigú.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Bruxas Beatas, Santas Feiticeiras: Cristianismo e Paganismo na visão das Bruxas Tradicionais...


Salud a todos!

Vendo um tópico em uma comunidade virtual voltada à Bruxaria Tradicional, me chamou a atenção um debate que surgiu sobre Bruxas cristãs...e a incompreensão de alguns frente a este termo, que parece ser tão contraditório para alguns....

Me veio à mente a figura de Marta: santa católica, parente de Cristo, tida como protetora das Cozinheiras, Feiticeiras e Ervoeiras...e a imagem dela sempre me saltou à vista como a de uma típica Bruxa: acompanhada de seu familiar, o dragão.

Há muitos encantamentos medievais onde Santa Marta é invocada, como este de uma Feiticeira das Ilhas Canárias, Catalina Del Castillo:

"Marta, Marta, la que los vientos levanta
la que los Diablos encanta
la que guiso los vinos a los finados, la que quitó los dientes a los ahorcados
La que desenterró los guessos a los enterrados
La que con Doña María de Padilla trato y conversso
La que los nueve hijos pario y todos nueve se le desminuyeron...
Asi como esto es verdad, me bayas al coraçon de Bartolomé Guerra y me le quites tres gotas de sangre donde quiera que estuviere melo traygas presto corriendo volando donde yo Margarita estoy assi me lo amarres y amanses y me le pongas el amor en su coraçon, paraque me quiera, y en su memoria me tenga que no me pueda olvidar de noche ni de dia donde quiera que estuviere, para que ninguna mujer donde quiera que estuviere no tenga sosiega ni pueda comer ni dormir sino fuere conmigo ni pueda tener otra mujer"

E foi pensando em Marta e seus conjuros medievais, assim como nas Ancestrais Feiticeiras que, assim como eu, vêem nela uma guia e protetora, que respondi ao tópico, lembrando que uma Bruxa é antes de mais nada Herética por Natureza e definição: alguém que pensa e decide por conta própria.

E há várias formas de se vivenciar aquilo que se nomeia Bruxaria, dentro dos caminhos antigos e tradicionais.

A Europa Medieval viu o surgimento de cultos sincréticos envolvendo crenças, mitos, ritos e valores do Velho Paganismo sincretizados com o Catolicismo Romano. Isso sempre foi forte em muitas linhagens de Bruxas hereditárias. As culturas se mesclam, se fundem: é antropológico!

Temos que lembrar que aqui não estamos falando de Wicca, e sim de Bruxaria Tradicional: anterior às idéias de Mr. Gardner.

Muitos covens existiram ( e ainda existem ) ao redor de igrejas espalhadas pelo Velho Mundo....Muitas Bruxas hereditárias, no desejo de ver assegurada a continuidade de suas linhagens, longe de perseguições promovidas pelas inquisições ( oficiais ou não ), trataram de mesclar e sincretizar elementos materiais e simbólicos de suas tradições familiares com simbolismos, mitos, ritos e crenças do catolicismo ( até porque, muitos destes são adaptações de antigas práticas e costumes pagãos ).

E temos de lembrar também que ser Bruxa( o ) é uma condição existencial: não uma opção religiosa. Alguém pode até optar em ser pagão....mas ser Bruxo é outra história...

E assim sendo, o que se passa em Famílias de Bruxas tradicionais vai além de diferenças entre visões de Mundo cristãs ou pagãs...há o Ofício, a Arte Feiticeira...a Herança dos Avós...

Muitos divagam sobre um suposto "purismo" de práticas e conceitos dentro de uma "Bruxaria Tradicional" vista apenas como "pagã" e alheia a quaisquer influências culturais externas...utopia.

Facto é facto: as culturas se mesclaram SIM! É isso o que aconteceu. É isto que é facto, e não uma Ilha de Avalon esperando ser encontrada por trás do véu....lendas à parte ( e todas as lendas tem um pé na realidade, incluindo a de Avalon ), a Magia praticada pelas Bruxas medievais e os seus atuais descendentes, possui sim elementos sincretizados. é um corpo de conhecimento vasto, que "vareia" a cada grupo, a cada Família, a cada praticante....

Eu sou pagão, tenho uma visão espiritual pagã, vejo e sinto o Divino assim como meus Ancestrais pagãos...como pagão, venero e honro a memória de meus Ancestrais, tenham tido eles o credo que for....o que nos une é muito maior do que o que nos separa, e nesse sentido, se eles foram cristãos, pagãos, ateus, ou mesmo tenham sido partidários de um “mezzo-a-mezzo” ( como eu sou, rsrs ), ÓTIMO!!! Um verdadeiro Bruxo Tradicional sabe que o que importa mesmo é aquilo que herdou; aquilo que funciona; e aquilo que cabe à circunstância presente.

Outra coisa que vale lembrar é que as várias linhas de Bruxaria Tradicional possuem suas raízes não em antigos Cultos Públicos Pagãos: mas sim em Cultos Domésticos e Cultos de Mistérios. Cultos de Mistérios se tornaram Sociedades Secretas. E Cultos Domésticos evoluíram para Bruxaria Hereditária. E é comum muitas dessas linhas mais tradicionais não se identificarem com nenhuma religião em específico, vendo-se mais como um Ofício prático, adaptável, onde encontramos elementos culturais idiossincráticos à região e à época de cada grupo e/ou praticante.

Sendo assim, muitos Santos católicos passaram a representar antigas potências Divinas.....o culto a determinados santos, por ter sido instituído em substituição ao culto de Deuses antigos ( tendo inclusive igrejas em sua homenagem erigidas sobre antigos santuários pagãos ), passou a ser guardado por famílias inteiras de Bruxas....e muitos Covens se formaram ao redor de tais cultos....beatas acima de qualquer suspeita se reuniram nas igrejas durante séculos.........e em suas orações, murmuradas, quase inaudíveis, muitos feitiços foram conjurados....Seja em nome de Cristo, da Virgem ou dos Santos...seja em nome de Deuses adorados por seus antepassados....

“Marta Ervoeira
Santa, Feiticeira,
Marta de Penaguião
Pelo agouro de Vosso Corvo
E pelas Chamas de Vosso Dragão
Traga fulano acá rendido
Pelas penas perseguido
Por Vosso Poder aguilhoado,
Amansado, amarrado e vencido.

Padre Nosso....”

( a imagem eu copiei do blog de Márcia Frazão, onde ela postou a receita do Bolo de Santa Marta, e conta suas experiências feiticeiras.... ). Eis o link do blog:

http://www.marciarfrazao.blogspot.com/

Bendiciones de Martha!

Texto de: Raven Luques McMorrigú.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Drusuna - A Senhora da Floresta...


Salud!
Desde pequeno sinto uma familiaridade espantosa com matas e arvoredos....onde quer que haja um parque, um jardim mínimo que seja, lá estou eu, pois sempre dei preferência aos locais onde o verde viceja....
Também sempre fui dado mais à introspecção, a ouvir mais o que meu interior diz do que às informações irritantemente bombardeadas por fora....e preferi muito mais, em toda a minha Vida, a companhia de árvores e animais à das pessoas.....pois os irmãos da Floresta sempre me disseram muito mais, inclusive porque eles não falam: eles dizem!
Segundo o Helenismo, sou filho de Ártemis, também conhcida como Diana: a Senhora da Floresta, da Caça, a Pótnia Theron ( Senhora dos Animais ), Deusa de carácter introspectivo e arredio, a viver entre as árvores....
Não foi surpresa alguma me deparar com Drusuna, quando descobri qual das Deidades de meus Ancestrais me regia.

Segundo estudiosos como J.Mª Solana Sainz e Liborio Hernández, o teônimo Drusuna vem do indo-europeu "drutos", radical "deru-", "dru-", significando "Carvalho". Esse teônimo foi encontrado em duas inscrições em San Esteban de Gormaz, Soria, Espanha. É portanto, uma Deidade associada à Terra, às Árvores, a ritos realizados em bosques. A associação com o Carvalho remete aos Druidas, no que Drusuna é a Senhora da essência do Carvalho: a Essência da Vida e da Sabedoria.

Desde que me descobri como filho de Drusuna, compreendi o porquê de sempre me sentir em casa quando estou entre as árvores....o porquê de eu nunca sentir medo ou receio algum ao perambular por entre as matas, por mais fechadas, escuras e desconhecidas que sejam.....e o porquê de eu sempre voltar de tais lugares renovado: abençoado, renascido....tocado pela Sabedoria da Senhora do Bosque, inspirado pela Ciência guardada pela Ancestral Memória das Árvores....

"Por entre as Árvores habita o Saber
Sussurrado entre as folhas do Velho Carvalho,
Salve Drusuna a Quem estou a ver
Coberta de musgo e brilhante orvalho.

Cervos e Lobos ouvem o Seu chamado
Abençoada Senhora da Floresta!
Bruxas e Fadas no Círculo Sagrado
Dançam e Te saúdam em alegre Festa!

DEVOTIO DRVSVNA DEA SILVANA
EX ARBORIS ADVENIAT SAPIENTIA
SALVE DEA DIANA DRVSVNA
Nos dê a Seiva de Vossa Ciência!

Janas e Dianos por entre as folhas
É a sombra do Negro Guardião das Pedras
Que afasta os olhos maus e profanos
E guarda os coroados de verdes hedras.

Dançam alegres e antigas crianças
Dos cornos vertem oferendas d'Amor
Por entre os Carvalhos ecoa a esperança
De velhos ritos, um novo ardor!

DEVOTIO DRVSVNA DEA SILVANA
EX ARBORIS ADVENIAT SAPIENTIA
SALVE DEA DIANA DRVSVNA
Nos dê a Seiva de Vossa Ciência!"

DEVOTIO DRVSVNA - Raven Luques McMorrigú.

Bênçãos da Senhora da Floresta!

Texto de: Raven Luques McMorrigú.

sábado, 28 de junho de 2008

Feitiços: a Arte de transmutar a realidade....


Salud!
Quando se menciona o termo Bruxo ( a ), imediatamente surge a menção a feitiços: palavra cuja origem está em dialetos africanos, incorporada ao português na época das colônias. Refere-se a bruxedo, rito mágico, encantamento...

Os incautos geralmente acham que nós Bruxos sabemos lançar feitiços unicamente pelo mero conhecimento da fórmula certa: dos ingredientes apropriados, das falas e encantos corretos a serem ditos na hora fatal.....

Em verdade, o que leva um feitiço a funcionar é a postura: a postura de quem faz o feitiço, assim como de quem receberá as influências do mesmo.

Um feitiço de Amor só funcionará, portanto, se já existir o Amor....ele pode instilar coragem aos amantes para se declararem um ao outro....assim como um feitiço de Prosperidade só funcionará se houver uma postura generosa dos envolvidos.....ou um feitiço de Ódio, que necessita desse sentimento borbulhando em farpas de fogo e enxofre a sair pelas ventas de quem o conjura.......ou um feitiço de Proteção, que só protegerá de facto quem tiver fé no encanto........e PRUDÊNCIA no agir e no viver...quem quer estar protegido, que se mantenha resguardado, e assim o feitiço fará a sua parte....

Feitiço algum tem eficácia sem a postura apropriada......Arcanos da Arte Feiticeira....

Bendiciones del Cuervo y del Aker....

Por: Raven Luques McMorrigú.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Solstício de Inverno: o Reinado da Cinzenta e o Renascimento do Sol...


Saudações castrexas!

Daqui a dois dias ocorrerá um dos momentos mais importantes do Ano: o Solstício de Inverno. O ápice do Reinado de Cailleach ( ou Galeg ), La Vieja Grisa, a Ancestral mítica dos galegos e escoceses, Deusa Anciã que rege o Inverno, o fenecimento, a parada, a morte e o congelamento. É ela que leva a seiva vital a se concentrar nas raízes, até que o Bastão de Poder volte às mãos de Briga: a Senhora do Fogo, que trará consigo a purificação e a esperança de dias mais cálidos e amenos...

O Vento do Inverno, que sopra do Norte ( no nosso caso aqui no Brasil, sopra do Sul ), cujo embate é certeiro sobre as planícies, varrendo todo o restante de Vida que ainda ali se mostra, que castiga furiosamente as aldeias e montanhas, vales e penhascos....que faz o Mar e o Céu se transmutar em uma única realidade cinzenta, que ruge imperiosa, em ventos cortantes a surrar portas e janelas....anunciando a chegada do recolhimento e da introspecção invernal, no ponto mais crítico da Vida....é o Sol que se distancia mais e mais da Terra......é o verde que desaparece debaixo da neve branca, que não pára de se acumular.....é o fim do reinado do Deus Verde e da Senhora da Vida....é o soar da trompa de caça do Caçador Negro....o sibilar do vôo da Cinzenta, cujo Vento traz consigo a neve.....é o sangue do Caçado derramado ao chão, a brilhar fortemente rubro sobre o branquíssimo gelo....é o vôo do Corvo, arauto da Senhora Badb, fazendo os ciclos se renovarem....Vida e Morte, em eterna Dança, desde Sempre e para Sempre.....

Mas, e aqui no Brasil?

Estamos num país continental....há climas de todos os tipos nessa Terra Abençoada, que acolheu um dia nossos Antepassados ibéricos, que aportaram em várias regiões, desde antes de 1500.....pois sim, esta Terra Brasilis já era visitada muito antes de Cabral....
Aqui na região Sudeste, mais especificamente onde eu moro, entre as montanhas do Vale do Paraíba, o clima tem uma regularidade muito parecida com a do clima europeu, principalmente com o clima ibérico. Talvez com temperaturas não tão intensas, mas temos sim, aqui, quatro estações bem definidas. Sendo assim, onde eu moro, é tranquilamente possível manter ritos dos Ancestrais ( claro, apenas invertendo as datas, por conta das estações trocadas de cada hemisfério ).
Por conseqüência, nessa época em que estou digitando essas linhas, é possível ver o manto cinza de Cailleach nos céus, trazendo consigo o Inverno.....o Vento cortante da Velha do Gelo, a fustigar este Novo Mundo, Vento este que, no nosso caso, sopra da Antártida.....

Mas também é o Tempo do Renascimento do Sol: É o ponto em que o Sol dá a volta pelo Céu e ressurge da aparentemente inevitável queda no Abismo da Morte....é novamente o sangue rubro a brilhar sobre o gelo, mas não o sangue do Sacrificado: é sim, o sangue derramado pela Madre Diosa, ao dar à Luz Seu Filho: O Senhor da Vida! A Criança Solar, símbolo da Esperança.....e conforme a Criança vingar, crescendo cada vez mais forte e bela, dia após dia crescerá a Luz da Vida....a seiva correrá mais veloz pelos galhos, devolvendo a estes o verde d'outrora.....o sangue correrá mais ágil e quente em nossas veias.......

E assim, renasceremos....

Bênçãos de Inverno, llenas de Esperança de um novo Nascimento!

Por: Raven Luques McMorrigú.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Diana, Janas e Janaínas....


Buenas!
Este texto que vou postar agora fala sobre a origem verdadeira do nome Janaína, tão comum aqui no Brasil. Muitos já disseram sobre possíveis origens indígenas ou africanas....mas aqui é mencionada a origem lusitana de tal nome, inclusive advinda dos mitos e lendas dos antigos lusitanos, asturianos e galegos...uma origem que resgata ancestrais conexões com Diana, a Deusa itálica da Lua e da Magia, Senhora das Bruxas, que sempre foi muito adorada na península Ibérica.

A OUTRA ORIGEM DE JANAÍNA –

Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

De onde vem o belo nome "Janaína" que, graças a Leila Diniz e sua famosa gravidez, tornou-se tão comum em meninas brasileiras desde os anos 70? Claro que é um dos nomes dados no Brasil a Iemanjá. E que essa orixá, assim como o seu nome mais tradicional, é certamente de origem ioruba: o nome Yemoja é uma contração de Yeye mo oja, "mãe dos peixes". Mas "Janaína" não se explica com a mesma facilidade. O dicionário Houaiss registra a valente tentativa da museóloga e folclorista Olga Cacciatore, de explicar esse nome como composição ioruba: iya "mãe" + naa "que" + iyin "honra", mas isso está longe de ser ponto pacífico. A muitos ouvidos, o nome soa indígena, talvez tupi - nos gibis de Maurício de Souza, por exemplo, é nome de uma indiazinha. Mas isso faz ainda menos sentido. Por surpreendente que pareça, a origem do nome pode ser mesmo portuguesa, nada mais, nada menos - uma modificação ou diminutivo do português "jana", que dá nome, por exemplo, a Ribeira de Janas, que é um distrito de Lisboa e a Janas, vilarejo próximo de Sintra, na Estremadura.

Mas o que é uma jana? Ora, em Portugal e na região espanhola de León, janas são uma espécie de fadas dos rios, semelhantes a sereias, que como suas similares e variantes em muitas outras tradições, tanto podem cativar os homens pela sua beleza e lhes causar a perdição como se deixar seduzir e terem um triste fim. No passado, a palavra também foi usada como sinônimo de bruxa e de fada. No noroeste da Espanha, nas Astúrias e na Galiza (onde o "x" geralmente corresponde ao "j" português), são chamadas xanas. São descritas como belas mulheres loiras e de olhos azuis, que vivem nos rios das montanhas, fontes e grutas e passam a maior parte do tempo a se pentear com pentes de ouro.

São bondosas como os que as ajudam, mas rancorosas e vingativas com os que invadem seus domínios. Os nomes de xácia ou sácia são também conhecidos na Galiza. Segundo uma lenda da Ribeira Sacra, curso d´água perto de Monforte de Lemos, um pescador encontrou uma xácia, bela e formosíssima e esta lhe disse que, se a batizasse, ela se desencantaria e se casaria com ele. O casamento realizou-se, mas a xácia acabou por aborrecer-se, abandonou o marido e voltou às profundidades do rio, onde seus parentes a despedaçaram por ter-se feito cristã. Uma variante do nome - ljanas - é dado no vale de Aras, leste da Cantábria (outra região do norte da Espanha) a um ser um tanto diferente: duendes femininas travessas e glutonas, que andam nuas, têm um peito enorme que jogam sobre o ombro direito e entram nas casas para roubar comida e nos apiários para roubar mel. Uma lenda conta que o cura de San Pantaleón quis acabar com elas ateando fogo às grutas onde viviam e elas se vingaram incendiando o povoado, a começar pela casa do vigário.

Meio confundidas com anjos, as janas viram também anjanas na Cantábria, onde uma variante da lenda assegura que são enviadas por Deus para realizar boas obras e que, depois de 400 anos, vão-se embora para não mais voltar. As anjanas foram celebrizadas pelo escritor espanhol Manuel Llano em Mitos y Leyendas de Cantabria, onde são descritas como tendo a aparência de mulheres jovens e belas, de pequena estatura, olhar amoroso e voz doce. Vestem uma túnica branca com uma capa azul, costumam usar coroas de flores e carregam uma varinha mágica que brilha com uma cor diferente a cada dia da semana, indicando as diferentes magias que podem realizar nesses dias. Lutam com seus inimigos, os ojáncanos ou ojancos (literalmente, "olhões"), ciclopes peludos que são os bichos-papões da Cantábria. Vivem nos riachos, fontes e mananciais, conversam com as águas e os pássaros, passeiam pelos bosques, ajudam animais feridos e árvores partidas. Às vezes, também ajudam amantes, pessoas perdidas na floresta e sofredores em geral.

A seguinte parlenda da Cantábria serve para pedir proteção às anjanas e encontrar objetos e animais perdidos:

"Anjanuca, anjanuca,
güena y floría,
lucero de alegría,
¿ónde está la mi vacuna? "

Esta outra serve para encontrar o caminho que se perdeu:

"Anjana blanca,
ten piedad de mi.
Guiame por la oscuridad y la niebla.
Líbrame de los peligros y de los malos pensamientos "

Na festa da primavera, se reúnem à meia-noite para dançar nas brenhas e espalhar pétalas de flores que dão sorte a quem as encontrar. Disfarçadas de velhas, as anjanas também testam a caridade do povo e distribuem presentes e castigos segundo seu mérito. Na Sardenha, também se fala de janas - ou ianas, nas grafias sarda e italiana. As labirínticas sepulturas cavadas nas rochas pelos povos pré-historicos que viveram na ilha antes da conquista romana são conhecidas no folclore local como domus de ianas, ou seja, casas de janas.

Ora, o nome "Jana" é uma corruptela de Diana, a deusa romana da caça e das florestas, assimilada às deusas gregas Ártemis, Hécate e Selene. Seu culto nasceu às margens do lago Nemi, perto de Roma. Ali, seu sacerdote permanecia no posto, com o título de Rex Nemorensis, até ser morto pelo próximo pretendente, usualmente um escravo fugido, que viesse a colher um "ramo dourado" no bosque sagrado. Uma tentativa de explicar esse costume é o fio condutor de um dos mais belos e ambiciosos (mas não dos mais rigorosos) tratados de mitologia já escritos, O Ramo de Ouro, de Sir James George Frazer. Nos últimos séculos da antiguidade romana, seu culto popular entre escravos e camponeses pobres em áreas remotas, permaneceu como um dos mais resistentes à erradicação pelo cristianismo. Foi um dos últimos a morrer, se é que chegou a desaparecer de todo. Em História Noturna: decifrando o Sabá, o historiador Carlo Ginzburg refere-se a uma vasta série de confissões de supostas feiticeiras dos séculos X ao XIV e mesmo posteriores que, interrogadas por padres e inquisidores, afirmavam participar em êxtase de vôos noturnos na companhia de uma misteriosa divindade feminina, chamada, conforme a época ou região, de Diana, Fortuna, Richella (de "riqueza"), Abúndia (de "abundância"), Sácia (de "saciar"), Bensozia (Boa Sócia), Perchta (deusa da vegetação na Áustria e sul da Alemanha, protetora das almas dos mortos), ou Huld/Holda/Holle (sua correspondente no norte da Alemanha, protetora das crianças e das tarefas domésticas femininas).

Eram sinais de um resistente culto pré-cristão da fertilidade que ele chama de "religião diânica". Outros possíveis equivalentes, citados por outros autores, são, na Escócia, Nicceven ou Nicheven, de um termo que pode significar "divina" ou "brilhante", no país basco, a senhora Mari ou Andra Mari, a deusa-mãe basca. E na Itália, La Befana (de "Epifania"), uma fada que no folclore italiano traz presentes para as crianças na véspera da festa de Reis, como os reis magos nos países de língua espanhola (ou Papai Noel na parafernália natalina de origem nova-iorquina). A Igreja, pelo menos, interpretava a todas como referências à deusa romana - ou então a Herodíade, a filha de Herodes que os Evangelhos responsabilizam pela decapitação de São João Batista. Como a personagem bíblica se misturou com tal cortejo de divindades pagãs? Talvez a origem tenha sido um sincretismo da grega Hera com a romana Diana - Heradiana, interpretada pelos inquisidores como Herodias. Assim, a sedutora princesa judia teria se tornado filha ou companheira da deusa virgem e lésbica. De qualquer forma, segundo teria ouvido o folclorista estadunidense Charles Leland de uma informante chamada Maddalena, uma seita clandestina de feiticeiras da Toscana adorava sua deusa por uma corruptela desse nome. Aradia ou o Evangelho das Feiticeiras, publicado em 1899, tornou-se um dos textos fundadores da Wicca e do neopaganismo moderno. Voltemos, porém, à Idade Média. Em 1390, um inquisidor milanês mencionou mulheres que haviam confessado a seu predecessor que participava regularmente do "jogo de Diana que chamam Herodíade".

Na verdade, segundo as sentenças originais examinadas por Ginzburg, Sibillia e Pierina chamavam o objeto de seu culto de "Madona Oriente". Toda quinta-feira, saíam com Oriente e sua "sociedade". Oriente as chamava "filhas" e respondia às suas perguntas, predizendo coisas futuras e ocultas. Com base nessas predições, Sibillia respondia às perguntas de muitas pessoas, dando-lhes informações e ensinamentos. Pierina aprendia as utilidades das ervas, remédios para doenças e o modo de encontrar as coisas roubadas e afastar malefícios. Via a Madona Oriente como a senhora de sua "sociedade", assim como Cristo era o senhor do mundo. Sua função era proporcionar mais bens materiais, mais colheitas, mais gado ao povo - que, aliás, venerava Cristo e os santos com o mesmo objetivo. Às vezes, suas seguidoras matavam bois e comiam a carne destes; depois, recolhiam os ossos e os colocavam dentro das peles dos animais mortos. Então Oriente tocava as peles com a ponta de sua varinha e os bois ressuscitavam - embora não conseguissem mais trabalhar. Essa curiosa narrativa lembra o mito de Dioniso, que foi sacrificado na forma de touro pelos Titãs e devorado - exceto pelo coração, salvo por uma deusa (Atena, Réia ou Deméter) e ressuscitado por Zeus. Lembra também nosso auto do bumba-meu-boi e suas variações regionais (boi-bumbá, boi de Janeiro etc.), que também giram em torno da ressurreição de um touro. Poderão histórias como essa representar pontes entre a Grécia arcaica e o Brasil moderno? Na Idade Média, a Igreja freqüentemente classificou como culto de Diana ou Herodíade várias aparentes sobrevivências de cultos e superstições pagãs e chamou as "bruxas" que as praticavam de "dianas". Usou a deusa romana e a princesa judia como fio condutor para orientar-se no labirinto das crença locais.

Camponeses de várias partes da Europa latina deram-lhes ouvidos, identificando com Diana ou "Jana" tradições locais sobre espíritos femininos de diferentes origens, misturando e reinventando crenças e lendas. Mas nomes alternativos sobreviveram em alguns lugares - como Sácia, transformada em Xácia por dialetos locais.


Antonio Luiz M. C. Costa formou-se em engenharia de produção e filosofia, fez pós-graduação em economia e é um entusiasta das ciências sociais e naturais. Ex-analista de investimentos, atua no jornalismo desde 1996.

Este texto foi copiado do seguinte endereço:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1270956-EI6607,00.html

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Brujería: a Astrologia e os Santos, segundo as Brujas...


Salud!
Adoro tudo o que se refira ao folclore, costumes, tradições e usanças populares do Mundo todo. Conhecer o outro é uma forma de se parar para conscientizar sobre nós mesmos também...
E foi me deliciando com um texto, que leio e releio há 10 anos, que resolvi postá-lo aqui no Blog...o que é bom deve ser compartilhado ;)

A associação dos Santos católicos com os doze signos do Zodíaco surgiu no México do século XVIII, graças à mescla de dos elementos da chamada "Brujería" ( forma de religiosidade popular, que une ritos indígenas e africanos ) com o catolicismo. Chamada de Cadeia Mágica, essa relação entre santos e signos constitui um caminho para o autoconhecimento e a harmonização espiritual.
Para obter as bênçãos do seu santo protetor, tenha em casa uma imagem dele e o homenageie com um ritual no dia de seu aniversário, assim como no dia dele, e sempre que sentir necessidade. Forre uma mesa com uma toalha da cor correspondente ao santo do seu signo. Acenda duas velas da mesma cor e um incenso. No meio do altar, coloque desenho ou um objeto representando o símbolo do santo. Peça a ele para lhe dar paz, amparo espiritual, proteção e harmonia em todos os dias da sua Vida. Reze diante do altar e deixe as velas e o incenso queimarem até o fim.
A seguir, veja qual é o santo que rege o seu signo, o símbolo a ele associado, sua cor e seus atributos:

ÁRIES
Santo: São Sebastião;
Símbolo: Flecha;
Cor: Vermelho;
Atributos: Coragem, vitória e boa sorte.

TOURO
Santo: Santa Maria Madalena;
Símbolo: Vidro de perfume;
Cor: Verde;
Atributos: Proteção no Amor, Magia e sorte nos negócios.

GÊMEOS
Santo: São Cosme e São Damião;
Símbolo: Pequena espada;
Cor: Laranja;
Atributos: Cura, proteção às crianças e reconciliação;

CÂNCER
Santo: Santa Petrônia;
Símbolo: Caranguejo;
Cor: Branco
Atributos: Maternidade e conhecimentos ocultos.

LEÃO
Santo: São Leão;
Símbolo: Coroa;
Cor: Dourado;
Atributos: Fortuna, ajuda e sucesso.

VIRGEM
Santo: Santa Bárbara;
Símbolo: Palma ( a flor );
Cor: Rosa;
Atributos: Perseverança, proteção e segurança.

LIBRA
Santo: Santo Elói;
Símbolo: Escada;
Cor: Verde-malva;
Atributos: Justiça, trabalho e recompensa.

ESCORPIÃO
Santo: Santa Salvada;
Símbolo: Águia;
Cor: Vermelho-escuro;
Atributos: Intuião, Alta Magia e proteção.

SAGITÁRIO
Santo: São Gregório;
Símbolo: Livro;
Cor: Púrpura;
Atributos: Viagens, intelecto e sonhos reveladores.

CAPRICÓRNIO
Santo: Santa Catarina de Siena;
Símbolo: Lírio;
Cor: Preto;
Atributos: Longevidade, boa saúde e amizades duradouras.

AQUÁRIO
Santo: São João Batista;
Símbolo: Barril;
Cor: Marrom;
Atributos: Iluminação, pureza e misticismo.

PEIXES
Santo: Santa Marina;
Símbolo: Peixe;
Cor: Violeta;
Atributos: Dom da adivinhação, espiritualidade e Fé.

Bendiciones delos Santitos a todos!