domingo, 18 de maio de 2008

Deuses Ibéricos


Buenas!

Em meus estudos sobre Paganismo e Bruxaria Ibéricos, colhi informações interessantíssimas sobre os Deuses venerados por nossos Ancestrais. Alguns destes Deuses permaneceram sendo cultuados com o passar dos séculos, outros tiveram Seus nomes caídos no esquecimento....

Vejo que cabe a nós honrarmos nossa memória Ancestral, reacender o Fogo Sagrado dos Altares dos Deuses Nossos......Que Seus Nomes sejam honrados e Benditos sempre!

DEUSES IBÉRICOS E CELTIBÉRICOS

AERNO – Senhor dos Ventos do Norte, Deus protetor do povo Zoela. Uma bela inscrição foi encontrada em Torre Velha, Babe, Castro de Avelãs, em honra a Aerno, que diz o seguinte: “DEO AERNO ORDO ZOELARUM EX VOTO” ( “A Ordem dos Zoelas ao Deus Aerno, em cumprimento de um voto” );

ÁRACO - Divindade regional mencionada em Alcabideche, Cascais, Lisboa;

ARENTIUS E ARENTIA – Par de Deidades protetoras do Povo, tendo eventualmente uma feição guerreira. São Divindades exclusivamente lusitanas;

ARES LUSITANO - Deus bélico que rege os cavalos;

ATÉGINA – Deusa Mãe dos lusitanos, rege a Terra, a Lua e o Submundo. É uma Deidade que recebe especiais homenagens nos Equinócios, onde é lembrada sua descida às profundezas ( por ocasião do Outono ), quando ia ao encontro de Seu Amado Endovélico, e seu ressurgimento, na Primavera. Seu nome provém do céltico “Ate” ( irlandês arcaico “Aith” ) e “gena”, que significa “Renascida”. É uma Deusa da fertilidade e dos frutos da terra, que renascem todos os anos, sendo portanto, ligada à Terra e ao Renascimento da Vida. A sede do culto a Atégina localizava-se na cidade de Turóbriga ( Betúria Céltica ), onde recebia a denominação de “Ataecina Turobrigensis Proserpina”. Era-Lhe prestado um culto de Devotio, que consistia em invocar a Divindade, através de certas fórmulas, inclusive em latim, para prejudicar alguém ( da simples praga até a morte ). Era, contudo, também, Deusa da Cura, como comprovam inúmeras inscrições. Recebia epítetos, conhecidos graças às inscrições das aras votivas, como “Dea Domina Sancta”. É representada pela Cabra e pelo Corvo, zoofanias principais de seu culto;

BANDUA – Seu nome deriva da raiz indo-européia “Bhend”, que significa “atar, ligar”. Isso demonstra que Bandua é uma Deidade dos laços, das ligações: dos laços mágicos, bem como dos laços que unem os homens, laços de honra e de sangue. Trata-se de uma Deidade da primeira função, mais no âmbito da Soberania do que no da Guerra, propriamente dita ( apesar de seu carácter guerreiro ser indiscutível, como atestam muitos de seus epítetos: “Bandua Aetobrigus” - O fogosamente forte - , “Bandua Cadogus” - O Guerreiro - , entre outros ). Bandua ou Band, é uma Divindade guerreira, da magia guerreira, vinculada a comunidades humanas, a confrarias de guerreiros, isto é, de grupos de guerreiros de elite, relativamente afastados do resto da comunidade, dedicados inteiramente à vida bélica, desprezando o dinheiro ( se se tiver em conta o episódio em que Viriato, Grande Líder da Resistência Lusitana contra a invasão romana, exprime o seu desprezo pelos bens do seu sogro Astolpas ). Bandua ( nome com variantes, entre as quais Bandonga e Band ) era adorado por Galaicos e Lusitanos;

BANDONGA – Deusa conhecida por uma inscrição que contém uma interessante referência a um indivíduo de nome “Celtius”, podendo aqui referir não tanto ao nome próprio mas mais a uma denominação étnica, isto é, “dos Celtas”. Alguns estudiosos dizem que isso se confirma pelo significado do prefixo Band, que segundo alguns, se refere a “ordenar” ou “proibir”, podendo também se referir a um prefixo feminino ( ainda hoje usado na Irlanda, como por exemplo em “Banshee” ). Seguindo outras teorias, como a que nos leva ao prefixo indo-europeu “Bhend” ( analisado anteriormente ), chegaremos a uma possível contraparte feminina de Band: uma Deusa tribal, protetora dos laços espirituais assim como dos laços de sangue, que unem a estirpe, nesta vida e além dela; Esse aspecto coloca Bandonga como uma Deusa de importância crucial para as Bruxas ibéricas, de Tradição Hereditária;

BELENOS – Deus celta do Fogo, adorado pelos lusitanos;

BODO - Divindade regional mencionada em Villapalos, Léon;

BOKON - Deus associado ao vinho. Herói mítico dos antigos celtibéricos;

BÔNCONCIOS – Deus Guerreiro lusitano;

BORMÂNICO – Deus das águas termais, equivalente a Esculápio. É portanto, um Deus da Saúde, adorado a norte do Douro. O seu nome significa “faço ferver”, isto é, a água que brota nas caldas. Alguns estudiosos interpretam Bormânico como uma Entidade de carácter iniciatório, já que na água tudo se dissolve, assim como todo passado simbolicamente é abolido, através da simbologia da morte no mergulho, e do renascimento no erguer-se das águas;

BRIGANTÉS – Deusa Guerreira ibérica, possivelmente associada à tribo celta dos Brigantes ( Calaicos ). Também chamada Brigantia, é associada a Brigit, assim como a Minerva ( segundo a Interpretatio Romana );

CANDÂMIO - Este teônimo foi registrado também como epíteto de Júpiter ( Jupiter Candamius ), o que indica esta Deidade como regente do raio e das tempestades;

CANDEBERÔNIO - Divindade regional mencionada em Vila Nova de Mares, Braga;

CARNEO - Divindade regional mencionada em Arraiolos, Évora, associado aos carneiros;

CARIOCECO – Deus lusitano da Guerra, equivalente a Marte ( Ares ). Segundo o antigo escritor Estrabão, "ofereciam um bode e os prisioneiros e cavalos"a essa Deidade. Ao norte do Tejo, é conhecido como Ares Lusitano. Na região da Galiza ( Tuy ), havia um culto local a Mars Cariociecus. O estudioso J. Leite de Vasconcelos, autor de “Religiões da Lusitânia”, expõe a hipótese do elemento “cario” provir do celta “corio”, que significa “corpo de tropas”;

CERNUNNOS – Deus celta associado à Morte e ao Renascimento, assim como às florestas e aos animais. Em uma cerâmica encontrada em Numância, é representado através de uma figura em pé e com os braços ao alto, sua cabeça aparece coroada com chifres ramificados de cervo. Data do século II a.e.c.. É um Deus associado com a fecundidade, e está relacionado ao Deus Cornífero de Val Camonica ( Itália ), e também com as Divindades representadas no Caldeirão de Gudenstrup ( Dinamarca );

COHUE (COHUENTENA) - Os estudiosos associam a deusa-tripla céltica Coventina ligada a fontes sagradas e curas;

COSUA – Deus da Guerra, venerado a norte e a sul do Douro ( portanto, comum a Calaicos e a Lusitanos ). Também conhecido como Cosus. Há uma inscrição dedicada a este Deus no sudoeste de França, indicando seu carácter marcial – “Cososvs Devs Mars”. Cosus seria o Deus que presidiria à assembléia dos guerreiros das tribos, tendo por isso uma função jurídica;

CROUGA – Deus ligado às rochas e eventualmente à morte. Na Irlanda, é Crom Cruaich, o Deus da Destruição, a quem eram sacrificados os primogênitos de cada Clã e cujo nome parece significar algo como “Cabeça Curva”; em galês, é Pen Crug, teônimo que estabelece ligação entre Crom Cruaich e Crouga Magareaicus. É uma Deidade comum a Lusitanos e Calaicos;

DANA – Deusa Mãe dos celtas, Senhora dos Tuatha de Danann, adorada pelas Bruxas celtibéricas como a Grande Mãe Terra;

DEGANTA - Deusa que rege os rios;

DENSO - Divindade regional mencionada em Felgar, Moncorvo;

DERCETIO - Deus das Montanhas;

DEVA - Deusa celtibérica dos rios;

DURBÉDICO – Deus cujo nome pode ser decomposto em “Durb” ( céltico “drucht” = orvalho ) + ed + icus, estes últimos sufixos comuns entre os celtas. Significaria assim “O Deus que goteja”, ou seja, um Deus ligado à água de fontes ou do rio Avus, que passa perto de Ronfe, onde a inscrição foi encontrada;

DRUSUNA - Deusa do Carvalho, protetora das florestas, padroeira da Sabedoria Druídica;

EBÚRIO - Deidade associada ao freixo e bosques em geral, também chamado Eburianos;

EDÓVIO - Divindade regional mencionada em Caldas de Reis, Pontevedra, também chamado Edouios;

ENDOVÉLICO – O mais conhecido dos Deuses Antigos da Lusitânia, semelhante ao Deus celta Sucellos. É uma Divindade de dupla manifestação, ora como Deus Subterrâneo, Senhor do Mundo dos mortos, cujo Santuário ficava em Rocha da Mina, ora como Deus Solar, adorado no Santuário do Outeiro de São Miguel da Mota, no Alandroal ( atribui-se, inclusive, a esse Deus, a característica de Deidade tópica do outeiro onde seu culto se realizava ). É um Deus associado à saúde, razão pela qual as pessoas peregrinavam até Seu Santuário, em Rocha da Mina, em busca de cura para seus males. Muitos estudiosos defendem a origem céltica de tal Deidade. Leite de Vasconcelos falou a respeito do nome céltico “Andevellicus”, comparando-o com nomes galeses e bretões, chegando ao significado de “O Deus Muito Bom”, curiosamente o mesmo epíteto do Deus irlandês Dagda. Os romanos, ao chegarem à península, absorveram o culto a Endovélico, como provam os vários ex-votos deixados por eles, com inscrições que atestam a Sua importância, como esta:
“DEO ENDOVELLICO, PRAESENTISSIMI AC PRAESTANTISSIMI NUMINIS” ( Deus Endovélico, Gênio aqui presente e muito prestativo ). É considerado, portanto, o Pai da raça Lusitana, Deus com características solares, assim como saturnianas ( isso nos remete a uma zoofania de importância primeira na heráldica lusitana: o Corvo, ave símbolo de Lisboa, que é regido pelo Sol e também por Saturno, associado aos mortos e ao Mundo do Além );

EPONA – Deusa céltica cujo culto na península é documentado em Sigüenza, numa figura que mostra essa Deidade sentada de frente e sobre um cavalo de perfil. É considerada uma Divindade protetora dos mortos. Possui atributos das Deusas Mães, como a Cornucópia ( Chifre da Abundância ). E por estar relacionada aos mortos, é vista como uma Mãe Psicopompa ( condutora dos mortos até o Mundo do Além ), já que o cavalo é tido como um condutor das almas. Epona é então, uma antropomorfização de tal conceito xamânico. Também está relacionada a Rigantona, a Amazona Céltica do Mabinogion;

ERBINA - Divindade feminina de natureza/atuação desconhecida;

ICCONA LOIMINNA: - Divindade a quem foi registrada um sacrifício de uma ovelha (apesar de alguns estudiosos traduzirem por égua) na inscrição lusitana de “Cabeço de Fráguas”, alguns estudiosos sugerem uma possível relação com a Deusa Epona;

ILURBEDA: - Divindade feminina de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas;

LACIPAEA (LACIPEA) - Divindade feminina de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas;

LAEBO – Deus cujo nome significaria “Torcido”, isto é, “Sinistro”, assim como os Deuses célticos da Magia bélica. Adorado exclusivamente na Lusitânia, tanto quanto se sabe. Em latim, é chamado Laebus;

LUG – Deus da Luz, cujo culto é documentado epigraficamente na inscrição de Peñalba de Villastar, datando do século I a.e.c. ( onde encontramos a única menção antiga da Festa de Lughnasadh ), assim como em outra inscrição em Uxama e mais uma, em Fuensabiñán, Guadalajara. Também encontram-se teônimos em área celtibérica como Luguadicus em Uxama, Luguateitubos, assim como em Lucobriga ( Daroca ), entre outros. Lug, ou Dis Pater é uma Divindade de carácter Solar, devido à raiz de seu nome, que significa “brilhar”, e dizia-se que Seu rosto era tão brilhante que nada nem ninguém poderia mirá-lo( muitos estudiosos acreditam que o brilho a que refere o mito de Lug é o do raio cortando o Céu, que inclusive é simbolizado por sua Lança; nesse aspecto, Lug também pode ser associado a Júpiter ou Zeus, Senhor do Céu e dos Raios. O corvo é mencionado como uma zoofania típica de Lug, o que nos remete a Endovélico e seu duplo carácter solar-saturniano, de que o corvo é símbolo totêmico maior na Península Ibérica. Muitas cidades antigas foram construídas em torno de Santuários dedicados a esse Deus: Lugo na Calaecia ( Galiza ), noroeste da Espanha, assim como em outras áreas da Europa, o que mostra a universalidade de Seu culto : Lugdunum ( atual Lyon ), Laon e Loudun, na França; Londinium ( atual Londres ), na Inglaterra; Lugarus, Lugano e Locarno, na Suíça; Luga e Luganskaya, na Rússia; Ludge, na Alemanha; Leidem, na Holanda; Luggude, na Suécia; Lugoj, na Romênia; Lugo, na Itália; e Lugos, na Áustria;

MATRUBOS – As Matrubos ou Matres( Mães ) são representações tríplices da Deusa Mãe, Senhora da Terra e Doadora dos frutos, assim como de toda a abundância ( são representadas portando a Cornucópia e cestos repletos de frutos ). Muito comuns no Mundo Céltico, Seu culto era praticado também na Ibéria, em Agreda;

MORRIGÚ – Deusa de primeira importância, cujo culto é comum a todas as tribos célticas. Sua zoofania principal é o corvo. É a Deusa da Guerra, Aquela que leva os guerreiros ao furor da batalha, invocada em vinganças e maldições contra os inimigos. Também é uma Deusa dos mortos, do Outro Mundo, invocada pelas Bruxas antigas para proteger o Clã. Seu nome vem do celta “Mor” e “righín”, ou seja, “Grande Rainha”, ou “Soberania”. Há evidências arqueológicas do culto a Morrigú desde a Era do Cobre, nas regiões da Espanha, da França, de Portugal, da Inglaterra e da Irlanda, onde inúmeras esculturas de uma mulher com uma cabeça de corvo, gralha ou falcão foram encontradas. Era conhecida por vários nomes, entre eles “Morrighan”, “Morgan”, “Morgana” e “Cathubodua”. Possui também um aspecto triplo, através do qual é conhecida como “As Três Morrigú”, ou “As Fúrias da Batalha”. Em tal representação, Morrigú se manifesta nas três Irmãs Negras: “Badb”, a Donzela, é o Corvo de Batalha, que sobrevoa o campo de batalha, cantando a morte dos guerreiros, e os leva ao Renascimento, através do Caldeirão da Imortalidade. Era representada em estandartes de guerra, onde a cabeça negra do corvo sobre um fundo vermelho-sangue estava presente, lembrando aos inimigos que em breve o sangue deles seria vertido ao chão, e suas carcaças seriam bicadas até os ossos, pelos corvos; “Macha”, a Égua-Mãe, é uma Deusa que protege a Sua prole ( isso originou a crença de que a Deusa daria a vitória àquele que se unisse a Ela sexualmente. Foi assim que Ela deu a vitória a Lug na batalha contra os Fomorians. Tal crença era comum a todas as tribos célticas, assim como também entre os celtíberos ); e “Nemhain”, a Fúria, a Anciã Negra que anunciava a morte dos guerreiros. Era chamada de “Lavadeira do Vau”, uma Velha sombria que lava as roupas manchadas de sangue no vau dos rios. O guerreiro que visse tal aparição antes de uma batalha, sabia que sua hora tinha chegado;

MUNIS – Deidade dos rios, também conhecida como “Munidia”. Seu culto é atestado nas localidades de Três Marias e Idanha-a-Velha ( Portugal ) e em Cáceres ( Espanha );

NABIA – Deusa ligada às águas dos rios ( seu nome significa “água corrente” ). Os rios, no mundo céltico, são vistos como passagens para o Mundo do Além. Nabia tem também uma função guerreira e de orientação da comunidade, o que reforça o seu papel de padroeira do contacto com o Outro Mundo, já que a guerra é uma porta para a vida pós-morte. Nabia era venerada por Calaicos e Lusitanos;

NANTOSVELTA – É uma Deusa gaulesa, também adorada pelos ibéricos. Deidade da Natureza, Esposa de Sucellos;

NEITOS– Deus da Guerra de cuja figura emanam raios, significando porventura o fulgor do seu furor guerreiro. EM latim, é chamado Netus. Parece haver uma ligação entre esta Deidade e o simbolismo da mão. Netus foi venerado em território da Lusitânia e da Celtibéria ( onde é conhecido como Neton ou Neitin ) bem como na Irlanda ( onde é Net, Neit ou Nuadu, o do Braço/Mão de Prata );

NEMEDUS - Deus protetor dos bosques, associado a círculos de pedras e de árvores ( Nemetons );

REVA – Divindade associada à Soberania e também à guerra. Comum a Lusitanos e Calaicos;

RUNESOCÉSIO – Deus Guerreiro e mágico dos Celtas do Alentejo ( Portugal ), referido como “Runesus Cesius”, sendo a segunda partícula do nome um epíteto. Atribuem-lhe origem céltica, significando “O Misterioso”, do irlandês arcaico “Run”, ou seja, “Mistério”, e/ou “armado de dardo”, que seria o seu epíteto segundo um mote celta. Chegamos então ao significado de Runesocesius: “O Deus dos Dardos” ou “O Misterioso armado de Dardo;

SUCELLOS – Deus gaulês da agricultura, das florestas e das bebidas alcóolicas, como nos atestam representações desse Deus carregando um barril de cerveja ( suspenso numa estaca ) e um martelo de Deus. É também venerado pelos ibéricos;

TANIT – Deusa de origem fenícia, incorporada pelos ibéricos, a partir de seus contactos com fenícios e cartagineses. Era venerada como Grande Deusa em Cartago, donde seu culto chegou a Espanha, e se instaurou na Ilha de Ibiza e em outras regiões da península, como Cartagonova ( a atual Cartagena ). Era venerada junto ao Deus Merkal-Baal;

TONGOENABIAGO – Deus Fertilizador e das fontes dos juramentos ( o seu nome significa “Deus da fonte que se jura” ). Na cidade de Braga, a norte do Douro, existe uma fonte dedicada a esse Deus, onde se faziam promessas e juramentos. Aqueles que juravam, diriam algo parecido a esta sentença em irlandês arcaico: “Tong a toing mo tuath” ( “Juro o que jura o meu povo” ). Tal juramento era feito por Tongoenabiago, junto da fonte de sua invocação;

TREBARUNA – Deusa cujo nome significa, segundo Leite de Vasconcelos, “Segredo da Casa” ( do celta “Trebo” = Casa, Lar, e “Rune” = Segredo, Mistério ). Trebaruna seria assim o Espírito do Lar, uma Deusa Doméstica, passando depois para a sua função mais conhecida de Deusa Guerreira, da batalha e da morte em batalha. Não vemos, no entanto, a necessidade de qualquer transfomação da parte da Deusa, no sentido de uma evolução de Guardiã do Lar para Deusa da Guerra: as duas funções podem perfeitamente coexistir o tempo todo na mesma mesma Divindade. Isto faz com que seja considerada uma versão lusitana das Deusas célticas da Guerra e da Magia: Morrigú, ou Morrighan, Macha e Badb Catha. Trata-se de uma Divindade adorada pelos lusitanos, assim como também pelos romanos invasores com um profundo respeito, como atestam as várias inscrições em aras votivas encontradas pela península, como esta em Cáceres, datada de entre os séculos I e II d.e.c. ( depois da era comum ): “A AUGUSTA TREBARUNA Marcus Fidius Macer filho de Fidius e inscrito na tribo Quirina magistrado III vezes duúnviro II vezes intendente das construções”.O que chama a atenção é o epíteto “AUGUSTA”, particularmente evocativo de grandeza. O lobo é uma zoofania própria de Trebaruna;

TREBOPALA - Deusa protetora das plantações, dos celeiros e dos animais domésticos;

TURIACO – Divindade dos Gróvios ( povo do Entre-o-Douro-e-Minho ), cujo nome pode ser decomposto em “Turius” + “acus”, o que nos remete a uma inscrição irlandesa ( Tor í rí no tighearna ). É um Deus de Poder, pois “Tor” significa “Rei” ou “Senhor”;

VAELICO - Deus Lobo que rege as iniciações de guerreiros;

Fontes pesquisadas:

Site da Tradição Ibérica de Portugal:

http://caldeiraodabruxa.homestead.com/Panteao.html

Forum Lealdade Sacra ( Portugal ):

http://s2.excoboard.com/exco/forum.php?forumid=64650


Texto sobre Religiões da Lusitânia do blog de Morgana Le Fay:

://morganalefay.br.tripod.com/morganalefay/id11.html


Site Parayba Pagã, do amigo Marcílio Diniz:

http://parahybapagan.wordpress.com/2008/04/05/deuses-luso-galaicos-nocoes-basicas/

Site HISPANIA DEORVM:
http://groups.msn.com/HISPANIADEORVM/hispaniadeorvm1.msnw


Bênçãos dos Deuses do Castro!
Abraços!

Por: Raven Luques McMorrigú.

4 comentários:

Marcílio disse...

Valeu Everson! Muito bom!

Marcílio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcílio disse...

Valu Everson, de Parabéns!

O disse...

Agradecido pelo seu saber compartilhado aqui.
ARENTIA é também topônimo duma aldeia da paróquia de Anda-Vau / Andabao, no concelho de Boimorto, na Galiza.
Nesse lugar há uma fonte e uma capelinha. Celebra-se uma romaria com gente que vai oferecida nos dias de Maio de Sam Cidre (São Isidro) e Santa Maria da Cabeça.